quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Amor Esquece de Começar

Pesquisando sobre autores gaúchos deparei-me com uma forma inusitada e genial de fazer poesia com o livro "O Amor Esquece de Começar" do autor Fabrício Carpinejar. Martha Medeiros recomenda na apresentação da obra: "Entre o nonsense e a realidade, Fabricio Carpinejar é mestre em acertar no alvo, ora nos emocionando muito, ora nos emocionando bastante - as duas únicas reações que se pode ter diante deste livro escrito às ganhas".
 
O escritor flagra pequenos detalhes adormecidos do cotidiano e faz comparações inusitadas como a quebra do tampo do fogão com os problemas de casamento. Utiliza as duas mãos para atravessar a linguagem. De um lado, a poesia, do outro, a crônica. Explora o universo feminino, descreve quando uma mulher chega ao auge em uma relação sexual, o que ela quer, exalta a amizade da velhice, desarma os preconceitos masculinos, mostra qual a gíria entre os homens, explica que a última colher dada a um filho nunca é a última e desmoraliza expressões e eufemismos como 'dar o tempo' e 'ceder'.  A mãe é uma das figuras mais exaltadas em seu texto. "Uma mulher quer dançar para os outros homens, para chamar o seu para perto. Uma mulher quer ser restituída de suas falhas, quer que acreditem nela quando mente, que duvidem dela quando fala a verdade", expressa um dos textos. A rotina não será mais a mesma depois da coletânea, ninguém levantará os estilhaços de vidro de um copo sem pensar que  "por mais que se recolha os fragmentos, algo ficará piscando no chão no dia seguinte. O vidro faz seu colar para vender ao sol." 


Em seu livro,  o amor é uma surpresa e uma confirmação. Um renascimento para quem até então não o encontrava. Um espelho a mostrar a beleza e o vigor a quem sempre soube identificá-lo. "O Amor Esquece de Começar" é esse espelho. A mulher, principal interlocutora de seus textos certeiros, não está sozinha. O homem também pode participar dessas revelações que, apontadas numa direção, atingem todos e tudo. O amor, afinal, é o sentido da vida e o conforto para a assustadora dimensão do universo. "Quero recuperar o romantismo, uma visão cristalina e verdadeira das relações amorosas, um cuidado na fala, a sedução", revela Carpinejar. "Sem idealismo, mas com idealização. A expectativa e a confiança fazem bem ao amor e não podem ser abolidos. Desejo, com as mulheres, o consenso das mãos durante o dia e dos pés durante a noite." 


"Uma biblioteca desarrumada não significa que é menor. Estantes com filas duplas não sinalizam desordem. Um livro que não se encontra não está perdido. Não achar alguma coisa é mexer em obras esquecidas e ler o que não se esperava. Não sou contra a catalogação. Nada disso. É que livros lidos são naturalmente livros fora de ordem. Escapam do crivo, deitam em dormitório alheio, se misturam com ansiedade. Duvido de uma biblioteca ordenada em excesso, impecável, limpa. Parece que a única leitora é a traça. A vida não deixa nada em seu lugar. Como ler sem contrariar o rumor alfabético? Como viver sem contradição? O mesmo posso pensar dos amores. Desejamos ao longo dos dias ter um casamento regulado, com todos os volumes cadastrados e que sirva mais como um móvel para decoração do que uma escada de leitura. Amor, como uma biblioteca, não é posse, mas despertence. Quanto mais leio mais perco as certezas do começo. Quanto mais amo mais apresso o final. Um livro não dirá onde estamos, uma paixão não consola, ambos apontarão para onde podemos ir dentro do corpo.

É possível viver dois amores ao mesmo tempo? Sim, é possível viver até três amores ao mesmo tempo, porém o esgotamento nervoso chega junto. Desde que um amor não seja a migalha do outro. Desde que o amor não seja a falta de solidão, e sim a solidão assumida. Desde que o amor não seja a segurança do egoísmo e sim a insegurança do diálogo. Desde que um amor não seja o complemento do outro. Pois amores não se completam, se bastam. Não adianta somar duas carências para gerar uma terceira. Dois amores são possíveis no início, para se desentenderem logo em seguida. O amor que é forte, luminoso, não permite concorrência. Amor é naufrágio, nem todos encontram madeira boiando para voltar a si. Dois amores são possíveis ao mesmo tempo porque um deles será o proibido. Porém, o proibido pode ser transar com a esposa, não a amante, e quem dançará sozinha depois é a amante. Difícil de compreender? Permanecer no casamento ou na estabilidade, desde que se amem, é hoje a mais alta transgressão. Aventurar-se fora de seus domínios cheira a regra. Não existe roteiro pronto. Assim como o marido pode segurar a vela de seu enterro e as duas arranjarem coisa melhor pela frente. O amor não está em uma instituição, mas na capacidade de suplantá-la.

Amor não se mede, se confunde. É impraticável comparar relacionamentos como ofertas de lojas. Um amor que não pode ser comparado é difícil de esquecer (ainda que a separação aconteça). Aquele que já permite comparação demonstra ser pouco consistente (ainda que os dois fiquem juntos). A gente ama para quê? Para não avaliar o amor. Não conseguir acompanhá-lo é quando vai bem. Quando se começa a ter consciência do certo ou do errado é aviso prévio. Sintomático que os casais peçam conselhos aos amigos para fazer em seguida tudo diferente. Amor muda as regras de propósito, muda o telefone, muda o endereço. Quem não está jogando não entenderá. É feito somente para jogar, não ser assistido. O mistério é não entendê-lo a ponto de preveni-lo. Prevenir o amor é matar a capacidade de aprender com suas conseqüências."

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Horsetail Falls - Cachoeira de fogo

Horsetail Falls é uma pequena cachoeira sazonal, que aparece somente no final do inverno e início da primavera. A cachoeira está localizada no Parque Nacional de Yosemite, um  parque famoso pela beleza de suas cachoeiras, localizado nas montanhas da Serra Nevada, Califórnia. 

A cachoeira tem como tela de fundo, uma impressionante parede de granito que, com luz e hora certa, proporciona fotos incríveis. Ela aparece em alguns dias de fevereiro, quando o céu está claro e os últimos raios solares do dia caem de forma especial sobre a cachoeira, iluminando suas águas com um brilho dourado, ganhando uma aparência de fogo.

Um momento único e maravilhoso para os fotógrafos, que esperam ansiosos pelo espetáculo que não dura mais de um minuto. Aprecie fotos da beleza de Horsetail falls,  a cachoeira de fogo do parque Yosemite.


 







sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AS ROSAS DE BOBBY

Bobby começava a sentir frio, sentado no quintal, sob a neve Bobby não calçava botas; não gostava. E além disso não tinha uma. O tênis desgastado tinha alguns furos.

Bobby já estava no quintal por quase uma hora. Tentava encontrar uma idéia para o presente de Natal de sua mãe. Agitou a cabeça quando pensou: isto é inútil, mesmo que me ocorra uma idéia, não tenho dinheiro para comprar.

Desde que seu pai os tinha abandonado, há três anos, a família de cinco pessoas vinha sofrendo muito. Não porque sua mãe não se esforçasse. Apenas nunca conseguia o suficiente. Trabalhava à noite no hospital, mas o pequeno salário que ganhava não resolvia.

O que faltava para a família em dinheiro e bens materiais, era compensado pelo amor e pela união da família. Bobby tinha duas irmãs mais velhas e uma mais nova. Cuidava da casa na ausência da mãe. As três irmãs já tinham bonitos presentes para sua mãe.
Era véspera de Natal e ele não tinha nada.

Enxugando uma lágrima nos olhos, Bobby chutou a neve e começou a andar para uma rua onde ficavam os shoppings e as lojas. Não era fácil ser um garoto de seis anos sem um pai, especialmente quando precisava de um homem para conversar.

Bobby andou de loja em loja, olhando cada vitrine decorada. Tudo parecia tão bonito e tão fora do alcance. Estava começando a escurecer e Bobby voltou-se, relutante, para a caminhada de volta. Então, de repente, seus olhos encontraram o brilho dos últimos raios do sol que refletiam em algo no meio-fio. Abaixou-se e descobriu uma brilhante moeda de dez centavos. Nunca se sentira tão rico como naquele momento.

Quando guardou o seu tesouro, um calor espalhou-se por todo o seu corpo e entrou na primeira loja que viu. Sua excitação transformou-se rapidamente em frio quando o vendedor lhe disse que não poderia comprar nada com apenas uma moeda de dez centavos.

Ele entrou em uma floricultura. Quando o dono perguntou se poderia lhe ajudar, Bobby mostrou a moeda de dez centavos e perguntou se poderia comprar uma flor para presente de Natal de sua mãe. O dono da loja olhou para Bobby e sua moeda de dez centavos. Então pôs a mão sobre o ombro de Bobby e disse-lhe:
- Espere um pouquinho aqui e verei o que posso fazer para você.

Enquanto esperava, Bobby admirava as flores na loja. Mesmo sendo um jovem menino, sabia que as mães e as meninas gostavam de flores. O som da porta que fechava-se com a saída do último cliente, trouxe Bobby de volta à realidade. Na loja vazia, Bobby começou a se sentir sozinho e receoso.

O dono da loja voltou trazendo um arranjo de doze rosas vermelhas de longas hastes amarradas por um grande laço prateado. O coração de Bobby disparou enquanto o homem ajeitava as flores delicadamente em uma caixa branca.
- São dez centavos, meu jovem, disse o dono da loja levando a mão para pegar a moeda.
Lentamente, Bobby moveu sua mão para entregar sua moeda. Poderia ser verdade? Ninguém lhe venderia algo tão bonito por dez centavos!
Sentindo a relutância do menino, o dono da loja acrescentou:
- Me ocorreu ter algumas rosas para vender por dez centavos. Você gostaria?
Desta vez Bobby não hesitou e quando o homem colocou a caixa em suas mãos, soube que era verdade.
Saindo da loja, Bobby ouviu o dono da loja dizer:
- Feliz Natal, filho.

Nisso, entra a esposa do proprietário da loja, que estava nos fundos e pergunta:
- Onde estão as rosas que você estava preparando?
Olhando pela vitrine e com lágrimas nos olhos, respondeu:
- Uma coisa estranha me aconteceu esta manhã. Quando eu estava abrindo a loja, eu pensei ouvir uma voz que me dizia para reservar uma dúzia de minhas melhores rosas para um presente especial. Eu não entendi o que acontecia mas, de qualquer maneira, eu as guardei. Então, há alguns minutos um pequeno menino entrou na loja e queria comprar uma flor para sua mãe com uma moeda de dez centavos. Quando o olhei, eu me vi, muitos anos atrás, quando eu não tinha nenhum dinheiro para comprar um presente de Natal para minha mãe. Um homem barbudo, que eu nunca tinha visto, me parou na rua e me deu dez dólares. Quando eu vi o menino, eu soube de quem era a voz, e lhe arranjei uma dúzia de minhas melhores rosas.

O proprietário da loja e sua esposa abraçaram-se firmemente e fecharam a loja. E, enquanto caminhavam pela noite fria, de alguma forma não sentiam frio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Telescópio Espacial - Buckyballs

O Telescópio Espacial Spitzer descobriu no espaço, pela primeira vez, moléculas de carbono conhecidas como "buckyballs", uma espécie de bola de futebol formada por 60 átomos de carbono. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]

O Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, descobriu no espaço, pela primeira vez, moléculas de carbono conhecidas como "buckyballs". Buckyballs são moléculas em forma de bola de futebol que foram observadas pela primeira vez em laboratório há apenas 25 anos. Elas devem seu nome à semelhança com as cúpulas geodésicas do arquiteto Buckminster Fuller, que têm círculos interligados na superfície de uma meia-esfera. Os cientistas já acreditavam que elas poderiam existir flutuando no espaço, mas ninguém havia conseguido detectá-las até agora.

"Nós encontramos aquelas que são agora as maiores moléculas existentes no espaço," disse o astrônomo Jan Cami, da Universidade de Western Ontario, no Canadá. "Estamos particularmente entusiasmados porque elas têm propriedades únicas que as torna elementos importantes para todos os tipos de processos físicos e químicos acontecendo no espaço."

As buckyballs são formadas por 60 átomos de carbono dispostos em estruturas esféricas tridimensionais. Seus padrões alternados de hexágonos e pentágonos coincidem com o desenho típico de uma bola de futebol. Os astrônomos descobriram também, pela primeira vez no espaço, a parente mais alongada das buckyballs, conhecida como C70. Estas moléculas, constituídas de 70 átomos de carbono, têm uma forma ovalada, mais parecida com uma bola de rugby. Os dois tipos de moléculas pertencem a uma classe conhecida oficialmente como buckminsterfulerenos, ou simplesmente fulerenos.

As bolas de carbono foram localizadas em uma nebulosa planetária chamada Tc 1. Nebulosas planetárias são restos de estrelas como o Sol, que expelem suas camadas exteriores de gás e poeira à medida que envelhecem. Uma estrela quente e compacta, ou anã branca, que está no centro da nebulosa, ilumina e aquece essas nuvens de poeira estelar. As buckyballs foram encontradas nessas nuvens, talvez refletindo uma fase curta da vida da estrela, quando ela arremessa para o espaço uma nuvem de material rico em carbono.

As buckyballs vibram em uma grande variedade de modos - 174 maneiras diferentes de sacudir, para ser mais exato. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Western Ontario]
Os astrônomos usaram os instrumentos de espectroscopia do Spitzer para analisar a luz infravermelha da nebulosa planetária, observando então as assinaturas espectrais das buckyballs. Estas moléculas estão aproximadamente a temperatura ambiente, a temperatura ideal para emitir os distintos padrões de luz infravermelha que o Spitzer consegue detectar.

Segundo Cami, o Spitzer olhou para o lugar certo na hora certa. Um século mais tarde, e as buckyballs poderiam estar frias demais para serem detectadas. As buckyballs vibram em uma grande variedade de modos - 174 maneiras diferentes de sacudir, para ser mais exato. Quatro desses modos de vibração fazem as moléculas absorver ou emitir luz infravermelha. Todos os quatro modos foram detectados pelo Spitzer.

Os astrônomos estudaram os dados, um espectro como o mostrado na figura, para identificar as assinaturas, espécies de impressões digitais das moléculas. Os quatro modos de vibração das buckyballs estão indicados pelas setas vermelhas. Da mesma forma, o Spitzer identificou os quatro modos de vibração das moléculas C70, indicados pelas setas azuis.

Bibliografia:

Detection of C60 and C70 in a Young Planetary Nebula
Jan Cami, Jeronimo Bernard-Salas, Els Peeters, Sarah Elizabeth Malek
Science
22 July 2010
Vol.: Science Express
DOI: 10.1126/science.1192035

sábado, 31 de julho de 2010

Macrofotos do Pólen

O pólen, proveniente da antera, parte da estrutura masculina (androceu) chega através de um agente polinizador (que pode ser um inseto, o vento, aves, etc.) até ao óvulo, parte feminina (gineceu) de uma outra flor ou da mesma flor caso ela seja hermafrodita. Para alcançar o óvulo, o pólen passa pelo estigma, estilete, até chegar ao ovário onde finalmente encontrará o óvulo. O óvulo fecundado pelo grão de pólen gera as sementes e o ovário desenvolve-se no pericarpo, que é a parte carnuda da fruta. O que produz a fecundação é o pólen, cujas imagens fantásticas, feitas por microscópio, nos encantam pela beleza e diversidade.


O pólen (do grego "pales" = "farinha" ou "pó") é o conjunto dos minúsculos grãos produzidos pelas flores das angiospermas (ou pelas pinhas masculinas das gimnospérmas) que são os elementos reprodutores masculinos ou microgametófitos, onde se encontram os gâmetas que vão fecundar os óvulos que posteriormente irão se transformar em sementes. São sementes de pólén em conjunto produtivos.


O grão de pólen ou também denominado de micrósporo, representa a estrutura reprodutiva masculina das plantas fanerógamas, e são produzidos por meiose no microsporângio. Normalmente são revestidos por paredes de celulose ornamentadas, característica de cada família ou mesmo auxiliando na identificação das espécies de plantas. 
De forma geral são pequenos e arredondados, alguns alados, contendo projeções que proporcionam o processo de polinização anemofílica (realizada pelo vento) ou demais estruturas adaptadas ao ambiente, especializadas conforme a dispersão na água (polinização hidrófila) ou através de atrativos a insetos (polinização entomófila). 


No interior de um grão de pólen localiza-se um gametófito masculino (microprótalo) imaturo. Quando esse atinge a flor portadora de estrutura reprodutiva feminina (estilete, estigma e ovário) o microprótalo nele contido se desenvolve e forma o tubo polínico por onde descem dois núcleos espermáticos. Um desses núcleos fecunda a oosfera (formando o embrião) e o outro se funde aos núcleos polares no interior do óvulo formando o albúmen (tecido nutritivo triplóide).