No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco, mas a que nos revela a nós mesmos. Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Relacionamentos - Arnaldo Jabor
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: - Ah, terminei o namoro. - Nossa, estavam juntos há tanto tempo. - Cinco anos... que pena... acabou... - É... não deu certo. Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vamos encontrar. Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?
sábado, 19 de novembro de 2011
A arte de ser feliz
"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim." Cecília Meireles
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Lágrimas e Chuva
As pessoas lhe perguntam - Como você está? - E a resposta vem quase automaticamente - Estou bem - Você responde que está tudo bem e para as pessoas está tudo bem que seja assim, porque elas não querem saber de fato o que acontece na sua vida. Temos uma tendência natural a dizer que está tudo bem, mesmo que ainda estejamos recolhendo os cacos quebrados que se espalharam pelo chão. O fato é que dificilmente alguém se recupera de um choque de realidade inesperado, de algo que simplesmente foge da compreensão humana. Você se sente sozinho e impotente. Como se nada que fizer vá amenizar essa dor. Como se ninguém pudesse lhe entender, a menos que sinta na própria carne. Mas não, não desejo que ninguém sinta isso na própria carne, tampouco na alma. É, a minha alma está fragilizada. Aos poucos eu tento juntar as partes que perdi, mas essa busca não tem sido nada fácil. Ninguém nunca disse que seria fácil, mas o peso da responsabilidade nas minhas costas torna tudo ainda mais difícil. Quando finalmente experimento o gosto doce da paz tão desejada, vem junto o gosto amargo da realidade me lembrando que não posso esquecer que existem planos maiores do que supõe a nossa vã filosofia. É como um tapa na cara que nos faz acordar e enxergar o quão egoístas somos por nos preocuparmos com coisas sem sentido enquanto existem coisas sérias acontecendo lá fora. Mas eu sigo adiante. Tropeçando, caindo, levantando. É como aquela música de um grande amigo meu que diz: "Eu sou dura na queda hard core, mas não perco a ternura jamais. Eu vou a guerra, mas sou de paz. Se num soco eu beijo a lona, eu me levanto. E o sangue agridoce em minha boca é o mesmo que me aquece o coração."
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Caminho dos Sonhos

Uma menina correndo em um campo florido, sentindo a brisa bater no rosto, flores de todas as cores e formas lhe fazendo sentir o perfume diferenciado de cada uma delas, o barulho suave que as folhas fazem ao sentir o toque do vento e a água de uma cascata correndo sobre as pedras lá longe. É isso que ela mentaliza nas noites em que não consegue dormir, e o elevado grau de detalhes criados em sua mente faz com que esqueça de todos os motivos que não permitem que o sono venha, e aos poucos seus olhos se fecham com aquela imagem nítida e limpa de uma paisagem que ela mesma criou. E ela sonha. Mas as vezes sente vontade de usar essa mesma técnica para esvaziar o seu coração. Não porque sinta o desejo de simplesmente excluir os sentimentos que existem nele e se tornar uma pessoa fria, mas porque gostaria de poder criar um cenário com tudo o que considera mais belo e com tudo o que mais ama, descartando as pedras e as flores murchas que possam aparecer no seu caminho. Ela sabe que de pés descalços corre um grande risco de se machucar, tropeçar e até cair, mas nem por isso vai deixar de lado a sensação única de estar com os pés no chão. Porque não quer deixar de sentir a brisa que invade seus poros e a faz sentir viva, de poder sentir o toque macio das flores no seu corpo enquanto corre em câmera lenta, de se deslumbrar com esse espetáculo de cores e perfumes que encontra, mesmo sabendo que esse caminho dos sonhos criado por ela talvez não leve a lugar algum. Mas é como aquela frase daquele filme que talvez tenha mudado o seu jeito de encarar a vida: "A jornada é o que nos traz felicidade. Não o destino. Ouça seu coração, tenha fé e aproveite a paisagem. O resto virá por acréscimo."
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