domingo, 26 de agosto de 2012

Injeção de realidade

Elas chegam ao extremo pois acreditam que o valor das pessoas é medido pelo seu peso. Esse é o pensamento das mulheres que possuem algum tipo de transtorno alimentar. Antigamente não se ouvia falar nisso, mas anorexia sempre existiu e tem se tornado cada vez mais comum em uma sociedade onde a beleza se tornou o produto mais cobiçado e a sua pílula mágica é vendida em qualquer butiquim. Mas não a preço de banana. O preço é caro, muito caro.


Essa semana abordamos o assunto na disciplina de psicopatologia e fiquei pensando em como somos influenciadas desde pequenas a seguir um padrão de beleza. Vemos desenhos com princesas esbeltas e brincamos com bonecas barbie, depois entramos para a escola e vemos a menina que está acima do peso considerado normal sofrendo bulliyng (naquela época nem tinha um nome pra isso, mas infelizmente já existia). Aí já começa a guerra com a balança e como se já não bastasse somos bombardeadas diariamente pela mídia de todas as maneiras, revistas, televisão, super modelos e atrizes exibindo corpos perfeitos para esse padrão e quando nos damos conta, estamos no meio da roda.

Você deve ter lido isso e ficou pensando: "Poxa, mas é só não dar importância, a pessoa tem que aprender a gostar de si como é, blá blá blá " e todo aquele discurso moralista que as pessoas adoram fazer. Sim, isso na teoria é lindo, mas essas informações sendo injetadas diariamente na mente das pessoas podem fazer grandes estragos se aliadas a ambientes estressores e fatores psicológicos. Anorexia é assunto sério, não é algo que se faz pra chamar atenção ou que a pessoa consiga controlar, quem tem esse transtorno de fato possui uma alteração na percepção visual do próprio corpo. São pessoas que possuem o índice de massa corporal (IMC) inferior a 17 (o valor considerado normal é 18) e ao se olharem no espelho se vêem extremamente gordas, e com isso deixam de comer por medo de engordar, chegando muitas vezes a ficar com aparência cadavérica.


Essa não é uma doença moderna, há muito tempo já se houve falar em jejuns por motivos religiosos, a diferença é que naquela época não existia um nome e hoje em dia se tornou algo relacionado à estética, fruto de uma sociedade que faz com que as pessoas acreditem que o seu valor varia de acordo com o número do jeans que veste. A pergunta que não quer calar é: aonde isso vai parar? Penso todos os dias na influência que a mídia tem sobre nossas vidas e até quando as pessoas vão se deixar levar por essa massa devastadora que faz com que fiquemos ignorantes. Essa mídia que nos diz que só seremos felizes se tivermos um corpo esguio, se dirigirmos o carro do ano, se tivermos o computador mais moderno ou utilizarmos os produtos que estão em alta. 


Talvez realmente seja mais interessante que estejamos totalmente cegos, porque quem está de olhos abertos sempre acaba questionando e não é esse o intuito, mas deixo aqui registrado um conselho de amiga: LEIAM, INFORMEM-SE, QUESTIONEM, não aceitem tudo o que lhes é imposto como se fosse uma verdade absoluta. O que determina o nosso valor não são os números que nos cercam, mas o que somos, o que aprendemos durante toda a nossa vida. Nossos valores e princípios, sejam eles herdados ou adquiridos, isso é o que realmente importa e faz a diferença na hora de avaliar se o que estamos vendo tem alguma utilidade ou pode simplesmente ser despachado para a pasta de spam do nosso cérebro. É a única forma de não se afogar nesse tsunami que vem se formando sobre nossas cabeças. 

2 comentários:

  1. Gostei desse teu texto, que encaro mesmo como um manifesto. Sabe, eu vivo uma relação ambígua com isso tudo. Sou magérrima desde os 4 anos de idade e já cheguei a me considerar anoréxica, mas percebo que hoje sou feliz com o corpo que tenho, embora na adolescência tenha feito várias dietas, só que para engordar. Devo ser um caso atípico, enfim.
    Abraços.

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    1. Olá, Nina! Sim, é um relato de indignação e um alerta à seriedade do transtorno, as pessoas realmente não tem noção. Isso que relatou é o que importa, que esteja feliz com o que você é! Abraços!

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